“Ser” não está fácil de ser

Reflexão-Blog

Como profissional experiente em gestão e pessoas, tenho o hábito de analisar as circunstâncias e ponderá-las frequentemente. Faço isso por conta de uma prática que aprendi entre estudos espontâneos em psicologia, liderança e antropologia. Afinal, quem nunca leu um livro e se encheu de ideias a respeito de um tópico?

Sou empresário e professor, além de ser pai, marido, filho e irmão. Algo que sempre converge em mim é essa atitude de absorver os ocorridos, as feições, as felicidades e as tristezas do dia a dia e refletir a respeito.

Vivi muito tempo fora do Brasil. Tinha a impressão de que certas ações alheias eram por conta de um fator cultural ou geracional, mas retornei recentemente e percebi as mesmas ações no meu círculo familiar. Diante dessa amostra social, de onde eu era incapaz de supor qualquer interpretação superficial, percebi atitudes — as mesmas que eu relacionava à cultura ou geração lá fora — sendo replicadas por pessoas que fazem parte do mesmo seio educacional que o meu.

Nisso, quase como em uma mensagem do subconsciente, escutei Sócrates falar na minha mente: “Sim, mas poderia me dizer onde você vê a reflexão?”

Na estruturação da ética, o conhecimento é crucial dentro dos métodos socráticos. Mas o conhecimento sem reflexão jamais surtirá o diálogo. Segundo Sócrates, sem esses elementos, o entendimento entre o bem e o mal, o certo e o errado, é praticamente impossível e acaba negligenciado em favor de uma cultura desordenada de um dado grupo.

Como sempre, estamos voltados aos problemas superficiais: “Não se pode falar mais nada” ou “Você viu o que fulano compartilhou?”. Estamos interpretando o que lemos, claro, mas quanto tempo destinamos para fazer reflexões que nos auxiliem a questionar os nossos pensamentos e os alheios?

Sem reflexão, não há oportunidade para argumentos saudáveis. É literalmente conviver com um “juiz idolátrico e absolutista” dentro da própria mente, que acredita e julga sem nem mesmo pensar a respeito. E o pior: compartilha essas opiniões com todo o resto da esfera que o circula.

Sócrates viveu há 2400 anos e ainda não conseguimos entender a ética, nem mesmo alcançá-la. Às vezes, parece que nem estamos buscando. Acredito que as pessoas hoje se sentem melhor negligenciando tarefas que julgam desnecessárias, quando na realidade é apenas uma forma de se manterem como vítimas de um mundo que as subjuga, em vez de se entenderem como responsáveis pela realidade.

É aí que minha posição se torna aparentemente arrogante, quando na verdade é uma posição triste. Ver o mundo sem escrúpulos e sem a ambição de melhorar faz com que eu me sinta como um alienígena em um planeta perdido. Fico esperando pelo próximo escândalo político onde ninguém fará nada, ou pelo próximo crime que todos esquecerão, ou pela próxima guerra que ninguém desejou, mas que também não fizemos nada para evitar.

Faço questão de mencionar a importância da reflexão para meus alunos, clientes, parceiros e colaboradores — algo tão importante que os convido a inserir o ato de refletir como uma tarefa de sua rotina diária, com espaço reservado na agenda. Escrevo isso não para ditar verdades, mas para convidar à mesa aqueles que, como eu, acreditam que o diálogo e a reflexão ainda são as únicas ferramentas capazes de construir uma ética real.

Refletir é o primeiro passo para diálogos saudáveis, menos vieses e ações mais coerentes.

Reflita!

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